CAPS II - Altamira

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Imagem Bonita: 5
"Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se." (Gabriel Garcia Marquez)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Treinamento ministrado pela equipe do CAPS para os ACS



Treinamento dado aos ACS, objetivando uma melhor abordagem e orientações no que diz respeito ao portador de transtorno mental.
O treinamento contou com a participação da Drª. Rafaela Velasques - psiquiatra, Jania Carla - psicopedagoga e Paula Costa - Assistente Social e Coordenadora do CAPSi.

Participando de Fórum de Saúde Mental em Belém



Jania Carla - psicopedagoga (atual coordenadora do CAPS) e Drª Shirley Goes - psicóloga.
Rosenildo, Cicera e Soledade. Participando do Fórum de Saúde Menttal em Belém.

DEPRESSÃO




Na depressão, o tratamento rápido, intensivo e completo (até o desaparecimento total dos sintomas) diminui o risco de recaídas, de depressões de tratamento difícil no futuro e de atrofias de Hipocampo(Este órgão desempenha um papel fundamental, mas ainda não esclarecido, na memoria, portanto, uma lesão do hipocampo pode afetar severamente a memória). Isso é importante para portadores de depressão que perdem meses em psicoterapias e tratamentos alternativos. Terapia é muito importante, mas na depressão ela é ator coadjuvante e não principal.

Como Depressão significa tristeza, as pessoas acham que o principal sintoma da Depressão é a tristeza. Mas não é. O principal sintoma da Depressão é a queda de energia. É a energia vital da pessoa que está deprimida.
Depressão é uma doença do corpo inteiro, não só do cérebro. O paciente se sente pesado, lento (ou com agitação improdutiva), com dores no corpo, dores de cabeça, Fibromialgia, alteração do ritmo intestinal, da digestão, alteração da pele, cabelos, unhas, alterações do sono, etc. Depressão baixa a resistência a infecções, aumenta a chance de infarto, derrame, diabetes, etc.

1) Sintomas mais comuns da Depressão (nenhum paciente tem todos os sintomas de uma vez):
  • Tristeza, desânimo, apatia (às vezes agitação), falta de alegria, diminuição (às vezes aumento) de apetite, insônia (às vezes aumento de sono), falta de desejo sexual, falta de energia até para coisas simples tipo banho, televisão ou ler um jornal. Uma diminuição geral do nível de energia da pessoa.
  • Nem sempre a depressão significa tristeza, o sintoma principal é a queda de energia.
  • Pensamentos pessimistas e repetitivos não saem da cabeça. Perda de interesse por pessoas e atividades que gostava. Parece que não consegue se concentrar numa leitura ou guardar na memória o que leu.
  • Perda de memória e de capacidade de concentração.
  • Ataques de ansiedade com sudorese, palpitações e tremor, verdadeiros ataques de pânico.
  • Pensamentos Obsessivos: a pessoa sabe que eles não fazem sentido mas não consegue tirá-los da cabeça. Por exemplo: conferir portas e janelas, achar que poderia fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas, etc. Esses pensamentos podem fazer parte da Depressão e não quer dizer que a pessoa também sofra de TOC.
  • Problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornam tarefas pesadas e difíceis. Coisas que antes eram agradáveis se tornam sem graça.
  • Alguns casos de Depressão têm dores de cabeça ou no corpo.
  • Prisão de ventre, boca amarga, pele envelhecida, olheiras, cabelos fracos e sem brilho, unhas quebradiças.
  • Pensamentos de "dormir e não acordar mais". Algumas pessoas se sentem como se estivessem separadas do mundo por uma redoma de vidro.
  • Outras não conseguem nem sentir alegria nem tristeza ("sensação da falta de sensações").
  • A pessoa pode ter "idéias fixas", por exemplo:
    • Acha a situação financeira ruim e sem perspectiva.
    • Se sente culpado por coisas que fez e que não fez. O passado volta carregado de culpa e arrependimento, de coisas que fora da Depressão a pessoa nem se lembra que existiram.
    • Acredita estar passando por uma doença incurável.
  • As pessoas mais velhas podem apresentar um quadro clínico onde a falta de memória parece ser o sintoma mais importante.
  • Alguns pacientes pioram da Depressão quando o tempo está nublado: Depressão Sazonal.
2) Causas, fatores e situações desencadeantes da Depressão (quase sempre uma combinação de mais de uma causa):
  • Predisposição genética.
  • Depressões anteriores. Depressão, “quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem”. Por isso é importante tratar o quanto antes.
  • Personalidade perfeccionista, detalhista.
  • Distimia.
  • Situações difíceis, desgastantes, frustrantes.
  • Perdas: de pessoa querida, de dinheiro, de posição profissional ou social, aposentadoria, etc.
  • Gravidez, Parto e Menopausa.
  • Síndrome do Pânico.
  • Distúrbio Obsessivo Compulsivo.
  • Stress Pós Traumático, depois de assalto, seqüestro, acidente, diagnóstico ou doença grave, etc.
  • Psicose.
  • Pílula Anticoncepcional, Implantes Hormonais, DIUs hormonais.
  • Corticóides, Quimioterapia, Interferon, Betabloqueadores, Parlodel, Digitálicos, Dissulfiram, Reserpina, Cinarizina.
  • Neurolépticos, Benzodiazepínicos, Barbitúricos, etc.
  • Drogas e álcool.
  • Anabolizantes, Anfetaminas, Fórmulas para emagrecer.
  • Apnéia Obstrutiva do Sono.
  • Hiper - e Hipotireoidismo, Tireoidite de Hashimoto.
  • Hepatite (principalmente C), Câncer, Pneumonia, Mononucleose, Reumatismo, Artrite, Artrite Reumatóide, Insuficiência Cardíaca, Infarto, Ponte de Safena, Asma, Insuficiência Respiratória, Doença de Cushing, Diabetes, Anemia Perniciosa, Lupus, Aids, Hipovitaminoses, Doença de Wilson, Sífilis, Coréia de Huntington, Lupus Eritematoso, Poliarterite Nodosa, Hipovitaminoses, Insuficiência Renal.
  • Traumatismos Cranianos, Acidente Vascular Cerebral (AVC ou "derrame"), Insuficiência Circulatória Cerebral, Alzheimer, Arteriosclerose, Esclerose Múltipla, Parkinson, tumores, Epilepsia, Aneurismas, Enxaqueca, etc.
  • Dores crônicas, Fibromialgia.
  • Radioterapia, Quimioterapia.
  • Manifestação pára-neoplásica.
3) O que é Depressão:
De uma maneira bem simples, seu cérebro é formado por células (neurônios) que "se comunicam" através moléculas chamadas Neurotransmissores e que esses Neurotransmissores não estão "circulando" como deveriam.
4) Uma Depressão pode ser "química" apesar de ter causa externa ?
Sim. A depressão pode começar reativa a algum problema externo, mas com o tempo se torna física. Do mesmo modo que Úlcera, Infarto, Gastrite, etc também são desencadeadas por um Stress e se tornam físicas. 
O problema é que os eventos de vida (life events) que desencadearam as primeiras depressões são cada vez menos necessários. Ou seja: com o tempo ela pode aparecer sozinha sem nenhum motivo.
É por isso que é importante tratar logo e de maneira completa
5) Tratamento:
  • A) Antidepressivos: são remédios que corrigem o metabolismo dos Neurotransmissores. Eles não são calmantes e nem estimulantes, não criam dependência física e nem psíquica.
  • B) Psicoterapia: ajuda, pois a Depressão afeta a pessoa como um todo e uma doença não se restringe apenas ao seu aspecto físico. Traços de personalidade assim como problemas atuais ou passados podem ter algo a ver com a Depressão. Existem várias técnicas de Psicoterapia e algumas são mais indicadas que outras. No tratamento da Depressão a medicação tem prioridade. A Psicoterapia pode esperar um pouco para começar, mas a medicação não. As pesquisas mostram que quanto mais rápido começar o tratamento medicamentoso maior é a chance de não se ter recaídas mais tarde.
  • C) Tempo para começar a melhorar: quase todos os Antidepressivos precisam de 2 a 6 semanas agir. Não desista do tratamento por melhorar nos primeiros dias.
6) Para a família:
A família sofre porque não consegue ajudar e sobrecarrega porque vê a pessoa passar por diferentes especialistas, fazer exames de laboratório, tomar calmantes, estimulantes e vitaminas sem melhorar. Então começa a dizer que é fita, "frescura", falta de força de vontade, e dar palpites para a pessoa "se ajudar" "se animar" "reagir" e etc., como se ela não soubesse de tudo isso ...
A Depressão não é sinal de fraqueza de caráter e nem passa só com "pensamento positivo".
A pessoa com Depressão geralmente está indecisa. Alguém tem que tomar decisões inclusive para começar o tratamento.
7) Observações:
  • A) Algumas vezes o primeiro remédio não funciona. Isso não quer dizer que seja um caso grave. Quase sempre basta trocar de medicação.
  • B) Mesmo que você já esteja bem, não interrompa a medicação. Seu médico decide quando diminuir, interromper ou trocar de medicação. Mesmo que sua depressão seja curta, o tratamento é longo (meses). Quanto mais tempo você tomar o Antidepressivo, menor é o risco de uma outra depressão no futuro.
  • C) Decisões importantes devem esperar para depois da Depressão melhorar. No momento todos os seus pontos de vista estão pessimistas e você pode tomar decisões que não tomaria se não estivesse deprimido.
  • D) A Depressão pode voltar? Pode. Existem várias possibilidades de se fazer um tratamento preventivo para evitar recaídas.
  • E) Se tiver recaída quando parar o Antidepressivo, não quer dizer dependência, só quer dizer que ainda não era hora dessa parada. Antidepressivos não criam dependência. A Depressão é que pode exigir tratamento mais longo.
  • F) Condicionamento físico é importante, pois libera Endorfinas, o intestino funciona melhor, a pressão arterial fica mais estável, etc.
  • G) Yoga, meditação, massagem de relaxamento ajudam.
  • H) Diminuir álcool e cafeína (café, chá preto, chá mate, refrigerantes) ajuda.
8) Concluindo: a Depressão é uma doença que incomoda muito a vida do paciente e de sua família. Mas costuma ser fácil de tratar. Assim como na Depressão a pessoa não consegue se imaginar bem, quando a Depressão passa a pessoa não consegue imaginar como era possível estar tão mal tão pouco tempo atrás.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

FESTA JUNINA CAPISIANA - JUNHO 2009





Artesanato: Exposição e comemoração  na quadra junina.
















               Arraial Capisiano - junho 2009







segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Atividade Terapêutica - Hidroginástica











Fazendo bem ao corpo e a mente.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Clausura versus Liberdade

Este é um artigo publicado na  Sessão Opinião do Jornal Gazeta Guaçuana no dia 16/05/2008. Escrito pelas alunas de Psicologia Ellen Camila Conceição, Natália Machado e Natália Melleiro Sampaio é um texto que com uma linguagem simples apresenta a história da loucura e a Reforma Psiquiátrica para uma população ainda leiga no assunto.





Clausura versus Liberdade
A maneira como a Saúde Mental é vista no Brasil, suas resistências e a procura pelo respeito aos direitos humanos


As maneiras de pensar e tratar a loucura são alvos de diversas discussões que caminham, há mais de 20 anos, visando mudanças no âmbito da saúde pública. Um dos principais objetivos dessas mudanças ainda designa polêmica: a extinção progressiva dos hospitais psiquiátricos e, como substituto, a instalação de uma rede de serviços de atenção à saúde mental que leve em conta a liberdade e o acesso à cidadania dos portadores de sofrimento ou transtorno mental.

A História da Loucura

A Loucura, hoje vista com olhos diferentes, nem sempre foi considerada algo negativo, ou até mesmo doença. Na Grécia antiga ela já foi considerada até mesmo um privilégio. Filósofos como Sócrates e Platão, ressaltaram a existência de uma forma de loucura tida como divina e era através do delírio que alguns privilegiados podiam ter acesso a verdades divinas. Tal fato, não impedia os “privilegiados” de viverem no meio das pessoas “normais”.
Gradativamente, a loucura vai se afastando do seu papel de portadora da verdade e vai se encaminhando em uma direção completamente oposta, passando a excluir o louco da sociedade, pois estes começam a incomodar.
Os primeiros estabelecimentos criados para limitar/esconder a loucura destinavam-se simplesmente a retirar do convívio social as pessoas que não se adaptavam a ele.
No século XIII, a loucura passa a ser objeto do saber médico, começa a ser caracterizada como doença mental e, portanto, torna-se passível de cura. A razão/normalidade ocupa um lugar de destaque, pois é através dela que o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade. É em meio a esse contexto que o hospital surge como um espaço terapêutico.
Para garantir seu funcionamento, o modelo hospitalar necessitava da instauração de medidas disciplinares que visassem garantir a nova ordem. Surge então, uma delimitação desse espaço físico, onde são fundamentais os princípios de vigilância constante e registro contínuo, de forma a garantir que nenhum detalhe escape a esse saber. O hospital acaba por tornar-se um mundo à parte, afastando cada vez mais o indivíduo de suas relações exteriores. O discurso que alimenta esse sistema percebe os loucos como seres perigosos e inconvenientes que, em função de sua "doença", não conseguem conviver de acordo com as normas sociais. Retira-se, então, desse sujeito todo o saber acerca de si próprio e daquilo que seria sua doença.
Durante os séculos, muitos métodos desumanos foram utilizados para tornar o “louco” adequado às regras da sociedade, podemos citar como exemplo, furos no crânio, sangrias, afogamentos, comas insulínicos, indução de convulsões, lobotomia, eletrochoques, etc.
Um cenário propício ao o surgimento dos movimentos reformistas da psiquiatria desponta com o pós-guerra. Começam a surgir, em vários países, questionamentos quanto ao modelo centrado no hospital psiquiátrico, apontando para a necessidade de reformulação.
Uma importante questão nessa concepção de reforma diz respeito ao conceito de "doença mental", o qual passa a ser desconstruído para dar lugar à nova forma de perceber a loucura enquanto "existência-sofrimento" do sujeito em relação com o corpo social.
Em continuidade ao processo da Reforma, em 1987, 1992 e 2001, foram realizadas as Conferências Nacionais de Saúde Mental, que possibilitaram a delimitação dos objetivos da reforma psiquiátrica brasileira atual e a proposição de serviços substitutivos ao modelo hospitalar. Dentre os marcos conceituais desse processo destacam-se o respeito à cidadania e a ênfase na atenção integral, onde o processo saúde/doença mental é entendido dentro de uma relação com a qualidade de vida.

A Reforma Psiquiátrica

Muitos dos chamados “loucos” passaram suas vidas em instituições, perdendo a própria saúde e até mesmo sua cidadania, pois quando retornavam à sociedade, após alta, eram discriminados e não conseguiam a sua re-inserção.
Somente no final dos anos 70, se começou a pensar em alterar essa realidade. Neste contexto, surge a Reforma Psiquiátrica, a qual propõe a desinstitucionalização, ou seja, que o atendimento aos “loucos” ocorra de forma mais humana, fora dos hospitais psiquiátricos.
Propõe também, que exista uma rede de cuidados para os doentes mentais, abrangendo todas as suas necessidades. Essa rede deve localizar-se próxima as suas residências, apresentando atendimento diário. Assim não é preciso retirar o doente mental de sua convivência familiar e social.

Instrumentos de atenção aos doentes mentais fora de um hospício:
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) onde são oferecidos atendimento médico, psicológico, psiquiátrico, assistência social, dentre outros. Uma de suas propostas são as oficinas terapêuticas, tais como: artes e bijuterias, as quais, tem como um dos objetivos a obtenção de renda.
Residências Terapêuticas, casas onde os doentes mentais podem residir (os que não possuem família, ou que a mesma não os quer mais), reintegrando-os à sociedade.
Programa de Volta para Casa, o doente mental que deixou o hospital psiquiátrico, pode vir a receber um auxílio mensal, o qual, contribuirá para sua emancipação.

O objetivo central da Reforma Psiquiátrica é que todo ser humano, sendo ele doente mental ou não, tenha sua singularidade respeitada.
“Portadores de transtornos mentais têm direito à liberdade, ao trabalho, à moradia e à convivência social”.


Postado originalmente por SOS Saúde Mental

FILMES COM TEMAS DE SAÚDE MENTAL


  • Estamira
  • Garota Interrompida
  • Menino Selvagem
  • Shine - O brilhante
  • Uma mente brilhante
  • Bicho de sete cabeças

Estigma & Saúde Mental


A doença mental é com frequência relacionada com o mendigo que deambula pelas ruas, que fala sozinho, com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades e com o homicida “louco” que aparece nos filmes.
Palavras como “maluco”, “esquizofrénico”, “psicopata” e “maníaco”, são vulgarmente utilizadas na linguagem do dia-a-dia.
As pessoas olham-se e dizem: “Isto não me vai acontecer de modo nenhum, não sou maluco, venho de uma família sólida”, ou, então, “ a doença mental não me afeta, isso é problema dos outros.”
O Estigma relacionado com a doença mental provém do medo do desconhecido, de um conjunto de falsas crenças que origina a falta de conhecimento e compreensão.
Com este texto, procura-se que haja uma melhoria do conhecimento, desmistificando falsas crenças e estereótipos e fornecendo novos dados acerca da doença mental e das pessoas que dela sofrem.



ALGUNS CONCEITOS ERRADOS SOBRE DOENÇA MENTAL

As pessoas que sofrem de doenças mentais não irão nunca recuperar?

As doenças mentais tratam-se e muitos doentes recuperaram a saúde.

As doenças mentais devem ser encaradas do mesmo modo como se olha para as doenças físicas.  Tal como o cancro e as doenças de coração, sabe-se que muitas doenças mentais têm causas definidas, requerendo cuidados e tratamento. Quando os cuidados e o tratamento são prestados, é de esperar uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem vidas normais. Infelizmente, os preconceitos impedem que as pessoas, uma vez recuperadas das doenças mentais, consigam dar os passos para reingressar na vida vocacional, familiar e social, com total plenitude. Este obstáculo, vem bloquear os esforços que permitiriam que as suas vidas seguissem cursos tão normais e produtivos quanto possível.

As pessoas com doenças mentais são violentas e perigosas para a sociedade?
Essas pessoas apresentam tantos riscos de crime como os outros elementos da população em geral. Depois de recuperados e de regresso à comunidade, estes doentes têm maior tendência para se mostrarem ansiosos, tímidos e passivos, mais sujeitos a serem vítimas de crimes violentos, do que autores dos mesmos.
Uma pessoa que tenha tido acompanhamento psiquiátrico, mas sem passado criminal, tem menos probabilidades de vir a ser preso do que a média dos cidadãos.

As pessoas que receberam tratamento psiquiátrico são instáveis podendo perder o controlo a qualquer momento?
A maioria das pessoas com doenças mentais têm maior tendência para se afastarem do contacto social, do que de se confrontarem agressivamente com outros.
O receio que a sociedade tem da sua violência é infundado, não sendo uma razão válida para lhes serem negadas oportunidades de emprego, casa ou amizades. Os peritos afirmam que a maior parte das recaídas aparecem gradualmente e não de forma abrupta. Se os médicos, amigos, família e os próprios doentes estiverem atentos aos sinais premonitórios da doença, as crises podem facilmente ser detectadas e tratadas convenientemente, antes de se tornarem demasiado graves.


As pessoas que foram tratadas de perturbações mentais são empregados de baixa qualidade?
Muitas pessoas recuperadas de uma doença mental revelam-se excelentes empregados, havendo muitos patrões a declarar que são mais pontuais e assíduos que outros colegas. Demonstram serem iguais no que se refere à motivação, qualidade de trabalho e duração de tempo no emprego.
Entenda-se que algumas destas pessoas estão sujeitas a recaídas, que podem causar períodos de ausência dos seus empregos. No entanto, através de programas que permitam horários flexíveis e períodos laborais que se acomodem a estas interrupções, estas pessoas podem vir a ser empregados produtivos. É justo que lhes seja dada uma oportunidade.

As pessoas que recuperaram de uma doença mental estão mais indicadas para exercerem trabalhos de nível inferior, mas nunca posições de responsabilidade?
Em todas as pessoas, a capacidade de progressão numa carreira depende dos talentos pessoais, da destreza, da experiência e motivação. O mesmo se passa com as pessoas com doenças mentais. Tem havido muitos exemplos de pessoas que, tendo recuperado, foram colocados em lugares de muita responsabilidade. Podem mesmo ser personalidades destacadas. É apenas necessário algum encorajamento para que aqueles que recuperaram das doenças mentais, possam levar a cabo as suas tarefas com todas as suas potencialidades.



TIPOS DE DOENÇAS MENTAIS

A primeira coisa a ter presente para se compreender um indivíduo com doença mental, é o fato das doenças mentais ou psíquicas serem efectivamente doenças e o comportamento disfuncional pode ser mais doloroso para o próprio do que para os outros.
Deve-se também reconhecer que um comportamento problemático, sem uma causa aparente, pode ser o resultado de uma doença emocional e não uma falha de carácter.
Há diversos exemplos de comportamentos problemáticos que, manifestados durante um longo período de tempo, podem indicar que a pessoa tem uma perturbação emocional. Inclui-se neste caso a agressividade, a tristeza excessiva, a preocupação exagerada, a falta de confiança nos outros, o egoísmo e avareza, o abandono e dependência, o fraco controle emocional e a hipocondria.

Há muitos tipos diferentes de doenças mentais, tais como:

DEPRESSÃO E DOENÇA MANÍACO-DEPRESSIVA

A Depressão é uma doença mental que pode afectar o humor durante longos períodos de tempo. Os sintomas incluem: perturbação do apetite e do sono, fadiga e perda de energia, sentimentos de inutilidade, culpa e incapacidade, falta de concentração e preocupação com a morte, desinteresse, apatia e tristeza.
A Depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade e, sem tratamento, pode conduzir ao suicídio.
A Doença Maníaco-Depressiva ou Doença Bipolar é também uma doença mental caracterizada por oscilações do humor, havendo períodos de extrema exaltação e outros de depressão profunda.
A fase maníaca manifesta-se por um comportamento hiperativo, com euforia ou irritabilidade,  insónia, discurso e pensamento rápido e, por vezes, ideias de grandeza.



ESQUIZOFRENIA


A Esquizofrenia é uma doença mental grave e crónica que, sem tratamento, impossibilita a pessoa de se comportar normalmente na família, no trabalho e na comunidade.
Os sintomas incluem: - Alucinações (“vozes” e outras), delírios ou falsas crenças patológicas que não são corrigíveis pela razão, pensamento desorganizado, alterações dos afectos, das emoções, do juízo crítico e de vontade.
A pessoa que sofre de esquizofrenia pode falar incoerentemente, deixar de falar, ter respostas emocionais desadequadas, humor embotado ou neutro, ausência de respostas emocionais ou períodos longos de exaltação ou depressão, ideias de perseguição e grandeza ou outras de conteúdo fantástico. Com um tratamento farmacológico adequado, grande parte destes sintomas atenuam-se ou desaparecem.
 

PERTURBAÇÕES ANSIOSAS
Há três principais tipos de perturbações ansiosas:
  • Fobias
  • Perturbação de Pânico
  • Perturbação Obsessivo-Compulsiva
As pessoas com Fobias sentem imenso terror quando confrontadas com situações específicas (estarem em locais superlotados ou terem de falar em público) ou com certos objectos ( pontes ou animais, por exemplo).
As fobias podem impedir a pessoa de ter uma vida normal, obrigando  o indivíduo a fazer adaptações na atividade diária, evitando essas situações ou objectos.
A Perturbação do Pânico é caracterizada pelo aparecimento repentino de um sentimento de terror (pânico), sem causa aparente. Durante o ataque de pânico, a pulsação aumenta, a respiração torna-se rápida e o doente pode suar ou ficar com vertigens. A pessoa passa a recear constantemente que as crises se repitam.
Quem sofre de Doença Obsessivo-Compulsiva tem pensamentos repetitivos, persistentes, involuntários, de conteúdo estranho ao 
Eu e a propensão a comportamentos ritualizados, que o doente não consegue controlar, tais como lavar constantemente as mãos, verificar repetidas vezes, contar, arrumar etc...

PERTURBAÇÕES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR

A Anorexia Nervosa e a Bulimia são doenças do comportamento alimentar, em ligação com a imagem corporal e o controle do impulso alimentar.  Podem ser graves.
Na Anorexia o doente não come, chegando a passar fome, devido a uma distorcida imagem corporal, que lhe causa aversão à comida.
A Bulimia é um ciclo de “encher” (consumindo grandes quantidades de comida) e “purgar” (quer induzindo o vómito, quer pelo abuso de laxantes).
Quem sofre de Anorexia ou Bulimia tem uma preocupação excessiva com a comida e um medo irracional de ficar gordo. 90% dos doentes com Anorexia e Bulimia são do sexo feminino.



ESTIGMA
Ninguém duvida que há um estigma ligado a quem tenha doença mental. Este estigma ou preconceito isola o indivíduo em relação aos outros, como se fosse uma pessoa marcada pelo passado de doença.
O estigma abrange aqueles que tiveram ou têm uma doença mental.
As relações sociais ficam muitas vezes prejudicadas, como se o doente fosse um ser à parte, objecto, por isso, de uma discriminação rejeitante.
A discriminação contra as pessoas com doença mental pode tomar diversas formas:

  • Uma jovem que não é admitida na universidade porque supostamente não conseguiu os mínimos requeridos para a sua admissão, sem que lhe tivesse sido dada qualquer explicação.
  • Um homem requereu a obtenção de uma casa subsidiada, tendo-lhe sido dito que não havia apartamentos vagos. Mais tarde vem a saber que duas casas tinham sido arrendadas a outras pessoas duas semanas depois de lhe terem sido negadas.
  • Outra mulher trabalhou 6 meses como recepcionista. Quando explicou ao patrão que iria faltar algumas vezes ao trabalho por estar a fazer uma nova medicação para a sua doença mental, foi despedida.
Com base nesta discriminação , aqueles que se recompuseram de uma doença mental escondem-se frequentemente atrás de um “disfarce”, de modo a manter o seu passado secreto, quando se candidatam a novos empregos. À pergunta se já tiveram um colapso nervoso, respondem que não. Se um patrão previdente lhes pergunta a razão de uma falta mais prolongada ao trabalho, respondem que fizeram uma viagem.
Se têm problemas com uma nova medicação, explicam ser um tratamento para a diabetes ou para a tiróide.
A necessidade de esconder resulta de um receio fundado de se ser rejeitado e desvalorizado, devido a uma doença, como se esta fosse um mal.
O estigma à volta da doença mental pode tomar ainda uma forma menos evidente.
A mais prevalente e, simultaneamente, mais difícil de corrigir é a linguagem do dia-a-dia, quer oral, quer escrita. Embora a terminologia estigmatizante seja, em geral, demasiado óbvia, há também formas subtis.
Mesmo o uso generalizado do rótulo “doente mental” para classificar as pessoas com doenças mentais, pode tornar-se estigmatizante, para as pessoas como se fossem membros de um grupo indesejável, subentendendo-se que serão sempre “doentes mentais”, recusando-lhes o direito de serem considerados cidadãos como os outros.
As “Mídia” podem contribuir muito para irradicar o estigma, promovendo a compreensão e educação do grande público acerca destas doenças, mas também podem ser prejudiciais ao divulgar conceitos errados e negativos, reforçando-o em grande escala.
Os debates televisivos e outros programas sensacionalistas mostram, com frequência, uma versão unilateral e negativa dos possíveis efeitos secundários causados por algumas formas de tratamento das doenças mentais, não apresentando ao público os tratamentos bem sucedidos, que ajudaram e ajudam milhões de pessoas a retomarem as suas vidas normais.
Alguns comediantes da moda, fazem pouco das pessoas que sofrem de doença mental, usando as suas incapacidades como uma fonte de humor mórbido e insalubre.
Alguns publicitários divulgam imagens estigmatizantes de pessoas com doenças mentais, como truques promocionais de anúncios, que vão desde a comida, aos automóveis, aos jogos de família e aos brinquedos.
O mais importante a reter pelos representantes das “ Mídia” e pelo público em geral é que os doentes mentais são pessoas como todas as outras. E que as doenças se tratam, como as outras.
As pessoas deverão ser julgadas pelos seus méritos próprios, e não pela doença de que sofrem e pelo estigma a ela ligado. Aliás, quando a doença é bem tratada medicamente, sobressai de novo a pessoa saudável numa grande percentagem de doentes.  Houvesse os meios humanos, institucionais e terapêuticos à altura das necessidades!
Os preconceitos estigmatizantes são fruto da ignorância e de uma consciência social moralmente negativa. São ainda importantes os obstáculos que os doentes que sofrem ou sofreram de doenças mentais têm de desafiar e ultrapassar, no seu caminho para uma recuperação.
Tornando-nos mais atentos às doenças mentais, podemos contribuir para criar as merecidas oportunidades a estas pessoas, permitindo-lhes levar uma vida normal e um regresso à comunidade como membros produtivos, autoconfiantes e capazes de desenvolverem todo o seu potencial.


RÁDIO CAPS GOSPEL

Radio Playlist: Solouvor.net